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Seguro Milionário para Diretores da EBC: Proteção ou Privilégio?

Decisão polêmica coloca em xeque a transparência e a responsabilidade na administração da empresa pública

Seguro Milionário para Diretores da EBC: Proteção ou Privilégio?
Seguro Milionário para Diretores da EBC: Proteção ou Privilégio? (Foto: Reprodução)

A recente decisão de garantir um seguro de responsabilidade civil de R$ 1,6 milhão para diretores e conselheiros da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) tem gerado controvérsia e críticas. A medida, que custará até R$ 48 mil anuais aos cofres da EBC, está sendo vista por muitos como um exemplo claro de proteção excessiva a uma elite administrativa em detrimento da transparência e da responsabilidade que deveriam nortear a gestão pública.

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Uma Medida Duvidosa

O seguro, que poderá ser acionado por membros do conselho de administração, diretoria executiva, conselheiros fiscais e empregados em cargos de gestão com poder de decisão, é justificado no edital como um instrumento de Governança Corporativa. A alegação é que tal proteção permitirá que os gestores atuem "no melhor interesse da EBC", sem o receio de serem pessoalmente responsabilizados por suas decisões.

Entretanto, esta justificativa suscita dúvidas sobre a verdadeira necessidade e o impacto ético desta medida. A proteção conferida aos diretores e conselheiros parece, na verdade, criar um escudo que pode fomentar a negligência e a falta de rigor nas decisões, sabendo que o patrimônio pessoal deles estará a salvo, independentemente das consequências de suas ações.

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Um Seguro para a Impunidade?

O contrato prevê que a seguradora assumirá a responsabilidade por quaisquer danos causados diretamente à EBC ou a terceiros, independentemente da comprovação de culpa ou dolo. Este ponto é particularmente alarmante, pois elimina qualquer incentivo para que os gestores ajam com a devida diligência e responsabilidade, essencial em qualquer administração pública.

Essa medida se assemelha a um salvo-conduto para a má gestão, permitindo que diretores e conselheiros operem praticamente sem supervisão efetiva ou consequências reais para decisões imprudentes ou mal informadas. É uma inversão dos princípios de accountability e responsabilidade, pilares fundamentais da administração pública.

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Impacto na Imagem e Confiança Pública

A EBC, responsável pela produção de conteúdos informativos através da Agência Brasil, TV Brasil, Radioagência Nacional e A Voz do Brasil, deveria zelar pela transparência e pela correta aplicação dos recursos públicos. A implementação deste seguro pode minar a confiança do público na integridade da empresa e na transparência com que os recursos são geridos.

Além disso, o custo adicional de R$ 48 mil ao ano, embora possa parecer pequeno no grande esquema do orçamento público, é um gasto que poderia ser questionado, especialmente em tempos de austeridade e de cobranças por maior eficiência e transparência na gestão pública.

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Conclusão: Proteção ou Privilégio?

A contratação deste seguro de responsabilidade civil levanta questões sobre os verdadeiros objetivos e implicações da medida. Será que é uma necessidade real de governança ou apenas uma forma de proteger uma elite administrativa das consequências de suas próprias ações? A resposta a esta pergunta é crucial para avaliar a integridade e a responsabilidade da gestão da EBC. Em tempos onde a confiança nas instituições públicas é constantemente desafiada, decisões como essa apenas agravam a percepção de distanciamento e privilégio que permeiam a administração pública brasileira.

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