cover
Tocando Agora:

Governo Maquia Números de Ajuda ao RS, Diz BBC

Medidas anunciadas são infladas e carecem de transparência, afirmam especialistas

Governo Maquia Números de Ajuda ao RS, Diz BBC
Governo Maquia Números de Ajuda ao RS, Diz BBC (Foto: Reprodução)

A resposta do governo federal à devastação no Rio Grande do Sul, anunciada com pompa e circunstância, está sendo duramente criticada por sua falta de transparência e pela inflacionada apresentação dos números envolvidos. De acordo com a BBC News Brasil, o governo prometeu dezenas de bilhões de reais em socorro ao estado, incluindo linhas de crédito, recuperação de estradas, compra de medicamentos, auxílio de R$ 5,1 mil para famílias afetadas e suspensão da dívida estadual com a União.

Publicidade


Especialistas ouvidos pela BBC afirmam que, apesar de positivas, as medidas são insuficientes diante da magnitude da catástrofe, algo que até o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reconheceu. A análise revelou que os canais oficiais do governo, como o portal Gov.br e perfis de autoridades nas redes sociais, exageraram o esforço federal ao considerar linhas de crédito de bancos públicos e privados como “investimentos do governo federal” ou “recursos destinados” ao Rio Grande do Sul.

Publicidade


O governo divulgou que mais de R$ 62 bilhões foram destinados para enfrentar a crise no estado, sem detalhar os componentes desses valores. Especialistas em contas públicas apontaram que algumas ações foram contabilizadas duas vezes, inflando os números em pelo menos R$ 7 bilhões. Economistas de diferentes orientações ideológicas, como David Deccache e Gabriel de Barros, criticaram a comunicação do governo, destacando a falta de clareza e a duplicação de valores.

Publicidade


O primeiro pacote anunciado pelo governo, de R$ 50,9 bilhões, inclui medidas que custariam concretamente R$ 7,7 bilhões ao governo. Fernando Haddad, ministro da Fazenda, explicou que a União pagaria R$ 2 bilhões aos bancos para descontos nos juros e depositaria R$ 5 bilhões em fundos garantidores, medidas que gerariam R$ 39 bilhões em empréstimos. No entanto, esses empréstimos são de bancos privados e públicos, com o governo apenas garantindo os juros e oferecendo garantias contra calotes.

Publicidade


Apesar das medidas, especialistas pedem uma comunicação mais transparente e rigorosa sobre os recursos efetivamente destinados. Sugerem a criação de uma página similar à usada pela Controladoria Geral da União durante a pandemia de covid-19 para detalhar os gastos emergenciais. A duplicação de valores também foi criticada, como no caso do segundo grande anúncio do governo: a abertura de crédito extraordinário de R$ 12,2 bilhões para cobrir gastos já anunciados e novas despesas.

Publicidade


O economista Gabriel de Barros destacou a “clara dupla contagem” nos anúncios do governo, acusando-o de inflar os números para “ganhar a narrativa” de que não faltou ajuda. A BBC News Brasil questionou a Secretaria de Comunicação da Presidência (Secom) e a Casa Civil sobre as críticas, mas não obteve esclarecimentos detalhados.

Apesar das críticas, as ações emergenciais do governo são vistas como um passo necessário, embora insuficiente, para ajudar o Rio Grande do Sul a se recuperar dos danos causados pelas inundações.

Publicidade


A oposição também questiona os valores anunciados, acusando a gestão Lula de inflar os números e de não reagir adequadamente à catástrofe. O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) criticou o pacote de R$ 50,9 bilhões, afirmando incorretamente que apenas R$ 1 bilhão seria destinado diretamente ao caixa do governo estadual.

A transparência e a clareza nas comunicações são essenciais para garantir que os recursos cheguem efetivamente a quem precisa, evitando a duplicação de valores e garantindo a confiança da população nas ações do governo federal .

Comentários (0)