Após 18 anos, novo caso de cólera no Brasil pode indicar risco de surto?
Diagnóstico de paciente da Bahia, na última semana, reacende debate sobre a condição infectocontagiosa, que afeta o intestino delgado
Após o Ministério da Saúde confirmar um caso de cólera em Salvador (BA), a preocupação em torno da doença começa a se espalhar junto com a possibilidade de um novo surto. O diagnóstico da doença infectocontagiosa - que afeta o intestino delgado - foi caracterizado como autóctone, o que significa que o paciente contraiu a condição na própria cidade, sem viajar a outro lugar.
No Brasil, os últimos casos autóctones de cólera ocorreram em Pernambuco nos anos de 2004 e 2005, com 21 e cinco casos confirmados, respectivamente. A partir de 2006, não houve casos desse tipo, apenas importados, sendo um de Angola, notificado no Distrito Federal (2006); um proveniente da República Dominicana, em São Paulo (2011); um de Moçambique, no Rio Grande do Sul (2016); e um da Índia, no Rio Grande do Norte (2018).
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Já em nível mundial, de janeiro a março de 2024, 31 países registraram casos ou declararam surto de cólera. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a região africana foi a mais afetada, com 18 países. Nas Américas há surtos declarados apenas no Haiti e na República Dominicana.
Diante da notificação mais recente da doença, surge o questionamento se há o risco de a condição voltar a ser comum no Brasil. “Apesar da ausência de casos, a cólera permanece como uma doença de alerta, porque ainda existem regiões onde o saneamento básico é precário, que não têm instalações de esgoto corretas, o que aumenta a chance de contaminação e de, provavelmente, disseminação da doença,” responde o infectologista do Hospital Vila da Serra, Cristiano Galvão.
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O especialista chama atenção para o saneamento básico porque a prevenção contra a cólera passa diretamente por condições adequadas de saúde pública. “Como a doença é transmitida pela ingestão de alimentos e água contaminados, a prevenção vai focar muito no consumo de água tratada, na higienização adequada dos alimentos e das mãos, no preparo da comida, ou seja, no investimento de políticas públicas de saneamento básico,” destaca.
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