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"Ele morreu fazendo o que amava", diz irmã de atleta de BH desaparecido ao escalar montanha no Peru

O atleta desapareceu, no dia 30 de junho; a morte foi confirmada no sábado pela equipe de buscas

"Ele morreu fazendo o que amava", diz irmã de atleta de BH desaparecido ao escalar montanha no Peru
"Ele morreu fazendo o que amava", diz irmã de atleta de BH desaparecido ao escalar montanha no Peru (Foto: Reprodução)

Foram encerradas, nesse sábado (6), as buscas pelo montanhista Marcelo Delvaux, de Belo Horizonte. Ele estava desaparecido, desde o dia 30 de junho, após escalar sozinho a quarta montanha mais alta do Peru, no vulcão Nevado Coropuna, de 6.425 metros de altitude.

Uma equipe de buscas, formada por quatro profissionais em resgate em montanhas, contratada pela família de Marcelo, concluiu que o atleta caiu no interior de uma profunda fenda de gelo e não resistiu.

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Dentro da fenda foram encontrados os bastões que o montanhista usava para se locomover na neve e para demarcar locais. O corpo do atleta ainda não foi localizado. Contudo, uma nova expedição deverá ser agendada para a realização da retirada do corpo do montanhista do local.

Como norteamento a equipe usou os últimos sinais enviados pelo GPS que controlava os passos do montanhista. O equipamento traçou os pontos percorridos pelo atleta, até o momento que travou, no último domingo (30), momento em que o atleta iniciava a descida do topo da montanha.

" A equipe realizou dois dias de buscas e encontrou os pertences do meu irmão. Alguns deles estavam dentro de uma profunda fenda de gelo. Pela cena e circunstâncias é sabido que meu irmão não sobreviveu. Ele caiu e morreu desde o dia que sumiu. Ele nunca se acidentou, em 24 anos, de montanhismo. Mas quando aconteceu foi fatal", avaliou a irmã do montanhista Patrícia Delvaux.

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Patrícia ainda conta que não sabe quando o corpo do irmão será retirado das profundezas da montanha. " O local é de difícil acesso, então não sabemos quando o corpo será removido. Será necessário a realização de todo um aparato técnico para isso ocorrer. Marcelo não deixou filhos, mas deixou mãe, pai e diversos parentes. O que nos dá forças é saber que meu irmão morreu fazendo o que mais amava. O corpo dele tá lá na montanha, lugar tão amado por ele. ", enfatizou.

Marcelo tentava realizar uma rota inédita

Nas redes sociais o amigo de Marcelo e também montanhista Pedro Hauck criou um perfil "Alta Montanha'. Por lá, ele contou os detalhes das buscas. Para Pedro, o amigo, que conhecia a montanha e suas fendas, tentou sozinho buscar uma rota inédita e acabou se acidentando de modo fatal.

"Marcelo tinha como assinatura a realização de diversos feitos inéditos e acredito que esse seria um deles. Infelizmente, para tentar esse feito ele estava sozinho. O montanhismo perdeu um atleta experiente e apaixonado pelas montanhas", avaliou o amigo.

Últimos momentos

Com a experiência que Pedro também possui no montanhismo ele fez uma pequena cronologia de como, possivelmente, se deram os últimos momentos de vida de Marcelo.

"Ele possivelmente fincou os bastões, encontrados dentro da fenda, para sinalizar o local. Ele chegou e avaliou a greta, porque já conhecia, viu um local mais seguro, saltou a fenda e foi ao cume. No retorno, chegou na borda da greta e ela deve ter colapsado e ele caiu", revelou Pedro.

Referência no montanhismo

 O atleta era considerado um dos mais experientes em alta montanha do Brasil, com mais de 150 cumes alcançados, entre os Andes e o Himalaia. Delvaux possui formação como Guía Superior de Montaña pela EPGAMT, na Argentina, sendo um dos primeiros guias brasileiros a obter tal título. 

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Relembre o caso

O montanhista Marcelo Delvaux, de Belo Horizonte, desapareceu, no dia 30 de juho, na quarta montanha mais alta do Peru, no vulcão Nevado Coropuna, de 6.425 metros de altitude. O GPS que controlava os seus passos travou no último domingo, pouco após às 15h30, momento em que o atleta iniciava a descida do topo da montanha.

No dia 25 de junho, Marcelo Delvaux enviou a última mensagem para amigos e familiares sinalizando que estava bem. Naquele momento, ele tinha chegado à base do Coropuna. O rastreio do GPS mostrava que o montanhista conseguiu alcançar o cume do vulcão, mas, na descida, o sinal ficou estagnado.

Delvaux não acionou o botão de SOS (socorro) disponível no aparelho, nem enviou mensagem que sinalizasse algum problema. O Nevado Coropuna tem sete cumes e uma trilha de nível intermediário que leva, em média, de três a quatro dias de escalada. Após a falta de comunicação, equipes de buscas rastrearam o local e encontraram os pertences do montanhista. Devido as condições do local, o atleta é considerado morto. 

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